Como definir o preço dos seus serviços sem ficar a perder
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A maioria dos profissionais define os preços a olhar para o vizinho e a tirar um pouco. É assim que um setor inteiro acaba a cobrar menos do que custa trabalhar. Um preço bem definido sai de três perguntas, por esta ordem: quanto me custa, quanto vale para o cliente e como o apresento. A concorrência entra no fim, como verificação, e não como ponto de partida.
O essencial
- O seu preço mínimo sai dos seus custos e das horas que fatura de facto, que são muito menos do que as que trabalha.
- Acima desse mínimo, o preço depende do valor que o cliente percebe, não do seu esforço.
- Oferecer três opções vende mais do que oferecer uma, e quase ninguém escolhe a mais barata.
- Os packs e as mensalidades aumentam a receita por cliente e dão-lhe dinheiro antecipado.
- Se ninguém se queixa nunca do seu preço, é porque é baixo.
1. Calcule o seu mínimo: o custo real de uma hora
Antes de pensar em quanto pode cobrar, precisa de saber abaixo de que valor perde dinheiro. Calcula-se com dois números: o que lhe custa ter o negócio aberto um mês e as horas que fatura de facto.
| Passo | Exemplo |
|---|---|
| Custos fixos do mês: renda, contribuições, seguros, ferramentas, contabilista | 850 € |
| O que precisa de levar para casa, antes de IRS | 1.900 € |
| Total a cobrir | 2.750 € |
| Horas de trabalho por mês | 160 |
| Horas que fatura: tire horários vazios, gestão, deslocações e cancelamentos | 95 |
| Custo por hora faturada | 28,95 € |
O erro está quase sempre no penúltimo passo. Ninguém fatura cem por cento do seu dia. Em serviços com marcação, o habitual é faturar entre 55 % e 70 % das horas. Se fizer as contas com 160, o seu preço sai 40 % abaixo do que precisa.
A esse mínimo junte o custo direto de cada serviço —material, produto, deslocação— e o IVA, se a sua atividade não estiver isenta. O que resultar é o preço abaixo do qual cada cliente novo o deixa mais pobre.
2. Do custo ao valor
O mínimo diz-lhe qual é o piso. Não lhe diz quanto cobrar. Ao cliente não interessa a sua renda: paga pelo que consegue. E isso permite cobrar diferente pelo mesmo tempo.
- Especialização. «Fisioterapia» concorre com todos. «Recuperação do joelho para corredores» quase não tem concorrência e é mais bem paga.
- Resultado em vez de tempo. «Sessão de 60 minutos» convida a comparar ao minuto. «Plano de oito semanas para voltar a treinar» compara-se pelo resultado.
- Urgência e disponibilidade. O mesmo serviço vale mais a um sábado ou nessa mesma tarde.
- O risco que tira. Garantia, orçamento fechado, revisão incluída: a tranquilidade paga-se.
- A experiência. Pontualidade, atendimento, ser fácil marcar e pagar. Nota-se no que o cliente está disposto a pagar e em se volta.
A pergunta útil é: quanto custa ao cliente não resolver o problema? Uma lesão que impede de trabalhar, um site que não traz clientes ou um casamento sem fotografias decentes custam muito mais do que a sua tarifa. O seu preço fica entre o seu mínimo e esse custo.
3. A concorrência, como verificação
Agora sim, veja quanto cobram os outros. Não para copiar, mas para saber onde se posiciona. Procure cinco negócios parecidos na sua zona e aponte o preço do serviço principal de cada um.
- Se está abaixo de todos, ou tem custos muito mais baixos ou está a enganar-se. Normalmente é a segunda.
- Se está no meio, precisa de uma razão clara para o escolherem, porque o preço não a dá.
- Se está acima, essa razão tem de se ver no seu site antes de chegarem ao preço: especialidade, avaliações, resultados.
Competir por ser o mais barato só funciona se os seus custos forem os mais baixos, e mesmo assim aparece sempre alguém disposto a perder mais dinheiro do que você. Para um profissional independente, é a pior posição.
4. A forma do preço: sessão, pack, mensalidade ou projeto
| Formato | Como funciona | Vantagem | Atenção a |
|---|---|---|---|
| Sessão avulsa | Um pagamento por cada visita | Fácil de perceber, sem compromisso | Receita imprevisível |
| Pack | Várias sessões pagas antecipadamente | Recebe antes e o cliente compromete-se | Definir uma validade clara e razoável |
| Mensalidade | Valor mensal por um número de serviços | Receita recorrente e previsível | Definir o que acontece ao que não foi usado |
| Preço por projeto | Valor fechado por um resultado | Compara-se pelo valor, não pelas horas | Delimitar bem o que inclui |
| Sinal mais o restante | Uma parte na marcação, o resto depois | Reduz faltas e cancelamentos | Dizer por escrito quando se devolve |
O desconto de um pack tem de ser real mas pequeno: entre 5 % e 15 % costuma chegar, porque o que o cliente compra é comodidade e compromisso. Descontos de 30 % ensinam ao cliente que o seu preço normal está inflacionado.
Como se combinam estes formatos com produtos e conteúdos explicamos em como vender online.
5. Como apresentar o preço
O mesmo preço parece caro ou razoável conforme a forma como se mostra.
- Três opções. Uma básica, uma recomendada e uma superior. A superior faz a do meio parecer sensata, e há quem a escolha.
- Marque a recomendada. As pessoas gostam que lhes digam qual é a mais escolhida.
- Diga o que inclui antes de dizer quanto custa. O preço no fim da descrição, não no início.
- Preço fechado melhor do que «desde», sempre que possível. Se não puder, dê um intervalo honesto.
- Impostos incluídos quando vende a particulares. É obrigatório e evita a surpresa no pagamento.
- Publique-o. Esconder o preço não filtra os curiosos: filtra os que têm pressa e dinheiro.
6. Como subir preços sem perder os seus clientes
Subir preços dá vertigens e quase sempre corre melhor do que se teme. Os custos sobem todos os anos; se o seu preço não sobe, está a cobrar menos todos os anos.
- Suba primeiro para os clientes novos. Não dói: nunca conheceram o preço anterior.
- Avise os atuais com um mês de antecedência, por escrito e sem pedir desculpa. Basta uma frase.
- Ofereça uma ponte: quem comprar um pack antes da data fica com o preço antigo. Recebe antecipadamente e suaviza a mudança.
- Uma vez por ano, numa data fixa. Uma subida pequena e previsível aceita-se melhor do que uma grande de cinco em cinco anos.
- Aceite que algum vai sair. Se subir 10 % e perder menos de 10 % dos clientes, ganha mais trabalhando menos.
7. Descontos: quando sim
Um desconto é uma ferramenta, não um hábito. Usado sempre, passa a ser o seu preço real.
- Sim: em troca de algo —pagamento antecipado, horas de pouca procura, trazer outra pessoa.
- Sim: com data de fim e um motivo, como um lançamento.
- Não: porque um cliente regateia. Quem consegue um desconto a regatear volta a regatear.
- Não: para encher a agenda de forma permanente. Se há sempre horários vazios, o problema é de captação ou de oferta.
- Melhor do que baixar: acrescentar valor. Uma revisão incluída ou um extra custam menos do que 20 % e não mexem na sua tarifa.
8. Erros que saem caros
- Calcular com as horas trabalhadas em vez das faturadas.
- Esquecer os impostos e as contribuições. O que recebe não é o que ganha.
- Não cobrar os cancelamentos de última hora. Esse horário já não se vende.
- Ter o mesmo preço há três anos.
- Oferecer o «já que estou aqui». Os extras não orçamentados são metade da margem em ofícios e obras.
- Dar o preço por mensagem sem contexto. Um número sozinho parece sempre caro.
O cálculo completo dos custos ao arrancar, com contribuições e impostos, está em como abrir um negócio.
Perguntas frequentes
Como sei se o meu preço é demasiado baixo?
Se tem a agenda cheia e mesmo assim não chega ao fim do mês, se ninguém pergunta nunca pelo preço ou se, ao fazer o cálculo do custo por hora faturada, o resultado fica acima do que cobra. Qualquer uma das três chega.
Devo publicar os preços no site?
Na maioria dos serviços, sim. Poupa mensagens, filtra quem não pode pagar e transmite confiança. Se o preço depende de cada caso, publique um intervalo ou um «desde» realista e ofereça um orçamento rápido.
Que desconto ponho num pack?
Entre 5 % e 15 % costuma chegar. O cliente compra a comodidade de ter tudo pago e você ganha o recebimento antecipado e o compromisso dele. Descontos maiores desvalorizam o preço da sessão avulsa.
De quanto em quanto tempo devo subir os preços?
Uma vez por ano é o mais saudável: uma subida pequena e previsível, anunciada com um mês de antecedência. Assim acompanha o aumento dos custos sem sobressaltos para o cliente.
Cobro à hora ou por projeto?
Por projeto ou por resultado, sempre que conseguir definir bem o que inclui. Cobrar à hora premeia ir devagar e faz com que o cliente compare a sua tarifa com a de outros sem olhar para o resultado.